

Silvio Pomaro
Geólogo
Mais um verão chuvoso e suas consequências, alertando e assustando a população. E, novamente, a Geologia em foco.
A pergunta mais comum entre a maioria das pessoas é: Por que isso acontece? Por que temos de passar por isso? Por que as tragédias não são evitadas?
E eu, como geólogo, tenho de explicar que muitos desses eventos poderiam e deveriam ser evitados se o profissional fosse lembrado e dele exigido durante as outras três estações do ano.
Na maioria dos casos, onde os eventos geológicos ocorrem com graves repercussões, são locais onde o próprio homem interviu com seus projetos, onde reside, circula, enfim, onde sobrevive.
O que o homem deve entender é que as intervenções causadas com esses projetos deverão ser acompanhadas e, até mesmo, em alguns casos, monitoradas pelos profissionais da área geológica, pois eles são os indicados para tal, não podendo ser lembrados apenas nos momentos trágicos de rompimento de barragens/represas, deslizamentos, escorregamentos, queda de blocos, recalques fundacionais, inundações e outros eventos.
Na verdade, é fundamental estar presente durante e diante todo e qualquer projeto a ser executado sobre e sob os solos e rochas, ser parte integrante e obrigatória desses projetos, portanto, ser visto pelo poder público como profissional de importância durante o desenvolvimento, execução e monitoramento nas áreas urbanas e rurais, visando, principalmente, à segurança e ao bem-estar da população.
Os eventos geológicos, muitas vezes, dão sinais anteriormente que algo não está bem, mas, geralmente, ocorrem inesperadamente, causando danos irreversíveis. Por isso, é de extrema importância o acompanhamento, mostrando, sinalizando e solucionando problemas, desde baixo a alto impacto.
As investigações geológicas/geotécnicas são ferramentas muito importantes para o sucesso de projetos, nas quais profissionais de áreas distintas apoiam-se para o conhecimento e tomada de decisões. Quando não possuem essas informações, podem ocorrer erros de diversas naturezas, comprometendo edificações de pequeno a grande portes, obras de arte, viadutos, pontilhões, túneis, metrô, estradas, barramentos, infraestrutura e outros, causando altos custos financeiros aos cofres públicos e privados, até mesmo valores acima da própria obra com constantes remedições.
Os diversos eventos geológicos ocorridos e noticiados semanalmente pelos meios de comunicação mostram, claramente, que é necessário se apoiar a esses profissionais da área para ter os critérios técnicos bem definidos e desenvolvidos de forma a otimizar e proteger as obras e, consequentemente, a população.
O planejamento das infraestruturas urbanas e o crescimento populacional vão de encontro com novos desafios que devem ser modernizados pelo legislativo e, principalmente, pelos profissionais, obedecendo a natureza de cada local. Não se pode mais expor a população a riscos, seja de qual for a natureza.
Triste realidade em que muitas cidades vivem por terem sido urbanizadas de forma inadequada no passado e que devemos, como profissionais, adequá-las para crescerem sem a tensão do medo devido aos eventos naturais, aproveitando e se beneficiando por estarmos em uma plataforma continental estável sem muitos problemas geológicos, como terremotos, vulcões e outros eventos arrasadores.
Hoje, existe tecnologia que não existia no passado, mais um motivo para que haja sucesso nos novos projetos urbanísticos e de desenvolvimento urbano. Não há mais espaço para errar, não se pode mais contabilizar mortos por enchorradas e deslizamentos. Afinal, somos da área tecnológica em que a população confia e que devemos dar o respaldo necessário para que se tenham uma vida digna.